A produção de bovinos confinados no Brasil tem passado por mudanças expressivas nos últimos anos, impulsionadas por avanços na nutrição e no manejo alimentar. Um estudo recente conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Jaboticabal, liderado pelo zootecnista e PhD Danilo Millen, analisou confinamentos responsáveis por cerca de 80% dos animais confinados no país — aproximadamente seis milhões de bois — e revelou transformações significativas nas práticas alimentares adotadas.
Uma das mudanças mais marcantes observadas foi a redução considerável no uso de ingredientes volumosos nas dietas, como forragens. Em 2009, esses ingredientes compunham quase 29% da alimentação dos animais confinados, mas esse percentual caiu para menos de 16% em 2023. Em contrapartida, a inclusão de ingredientes concentrados, como grãos, aumentou de 71,2% para 84,3%. O milho se manteve como o ingrediente concentrado preferido, sendo utilizado por mais de 97% dos nutricionistas entrevistados.
Outro ponto relevante identificado pela pesquisa foi o crescimento expressivo do uso de coprodutos da agroindústria. Ingredientes como polpa cítrica, caroço e torta de algodão, casca de soja e grãos secos de destilaria (DDGs) têm ganhado espaço nas formulações devido ao seu bom valor nutricional, custo competitivo e contribuição para a sustentabilidade ambiental, ao aproveitar resíduos industriais que antes eram descartados. O uso desses coprodutos passou de 79,7% para 92,7% em pouco mais de uma década.
Além da composição das dietas, também houve melhorias no manejo da alimentação. O método de descarregamento programado tem sido cada vez mais adotado em substituição à tradicional bica corrida, proporcionando uma distribuição mais precisa dos alimentos, com menor desperdício e maior controle sobre o consumo pelos animais.
A pesquisa também apontou um crescimento na proporção de animais confinados destinados ao abate, que passou de 13,3% em 2021 para 18,2% em 2023. A raça Nelore continua sendo a predominante nos sistemas de confinamento, representando mais de 80% do total, reflexo do avanço do melhoramento genético e da adaptabilidade desses animais às condições brasileiras.
Esses dados demonstram que o setor de bovinos confinados está cada vez mais voltado para a eficiência produtiva e para práticas que conciliam desempenho zootécnico com responsabilidade ambiental. Para os profissionais da área, especialmente aqueles que atuam com nutrição de ruminantes, acompanhar essas tendências é essencial para manter a competitividade e promover sistemas de produção mais sustentáveis e rentáveis.
Fontes: Portal do agronegócio
