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Benéficos da ILPF

A integração lavoura‑pecuária‑floresta, ou ILPF, desponta como uma das estratégias mais transformadoras da zootecnia moderna, especialmente no Brasil. Um estudo conduzido pela Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop (MT) encerrou o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com ILPF, oferecendo diretrizes técnicas sólidas para uso de árvores em sistemas integrados. Os pesquisadores avaliaram arranjos com eucalipto em diferentes configurações e observaram uma produção de madeira variando entre 87 e 114 m³/ha durante o período, além do efeito bordadura que favorece árvores nas bordas para maior acumulado de biomassa e carbono — mais de 30 kg/árvore/ano no sistema ILPF, em contraste com cerca de 20 kg/árvore/ano na monocultura (EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2024). Em paralelo, outro estudo no estado de São Paulo, conduzido pela APTA e Embrapa Meio Ambiente, analisou a conversão de Mata Atlântica em pastagens e depois em ILPF ou lavoura convencional. Entre as principais conclusões, ...

Benéficos da ILPF


ILPF


A integração lavoura‑pecuária‑floresta, ou ILPF, desponta como uma das estratégias mais transformadoras da zootecnia moderna, especialmente no Brasil. Um estudo conduzido pela Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop (MT) encerrou o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com ILPF, oferecendo diretrizes técnicas sólidas para uso de árvores em sistemas integrados. Os pesquisadores avaliaram arranjos com eucalipto em diferentes configurações e observaram uma produção de madeira variando entre 87 e 114 m³/ha durante o período, além do efeito bordadura que favorece árvores nas bordas para maior acumulado de biomassa e carbono — mais de 30 kg/árvore/ano no sistema ILPF, em contraste com cerca de 20 kg/árvore/ano na monocultura (EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2024).

Em paralelo, outro estudo no estado de São Paulo, conduzido pela APTA e Embrapa Meio Ambiente, analisou a conversão de Mata Atlântica em pastagens e depois em ILPF ou lavoura convencional. Entre as principais conclusões, a transição de pastagem para o sistema ILPF elevou os estoques de carbono no solo ao longo de todo o perfil (até 1 m), com taxa média de sequestro de cerca de 5 ton C/ha/ano, enquanto o plantio direto manteve os estoques sob níveis estáveis, sem ganhos significativos (APTA; EMBRAPA MEIO AMBIENTE, 2025).

Mais recentemente, em junho de 2025, pesquisadores da Embrapa Meio‑Norte avaliaram o sistema ILP (sem floresta) e ILPF no Matopiba (MA, PI, TO e BA). Os resultados mostraram aumento de até 108 % nos estoques de carbono e nitrogênio em solos sob ILP com preparo recente, comparado à vegetação nativa; e efeitos semelhantes em ILPF. O incremento da matéria orgânica favoreceu fertilidade, retenção hídrica e atividade microbiana, traduzindo-se em ganhos produtivos e ambientais. Na prática, produtores relataram aumento de quase 8 sacas de soja por hectare em ILP de longa data (EMBRAPA MEIO‑NORTE, 2025).

Significativamente, ILPF também se alinha com iniciativas públicas como o Plano ABC+, que prevê, até 2030, a expansão de 1,3 milhão de hectares de áreas com ILPF em Mato Grosso, como parte da meta estadual de mitigação de emissões e recuperação de pastagens degradadas (SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO – MT, 2025).

No âmbito ambiental, a adoção de ILPF permite reduzir fertilizantes, otimizar uso de nutrientes e mitigar emissões diretas de N₂O. Um estudo da Embrapa Cerrados evidenciou que sistemas integrados com apenas metade da dose recomendada de fósforo e potássio reduziram emissões acumuladas de N₂O em até 59 %, comparado à lavoura contínua tradicional, mostrando que o sistema é mais eficiente e de menor impacto ambiental (EMBRAPA CERRADOS, 2024).

Do ponto de vista zootécnico, a presença de árvores no sistema garante conforto térmico, sombra e menor solicitação hídrica em pastejos, o que resulta em animais mais eficientes no uso da pastagem e com maior bem‑estar, ainda que os estudos tenham priorizado análise agronômica e de carbono (MAIS FLORESTA, 2024).


REFERÊNCIAS


APTA; EMBRAPA MEIO AMBIENTE. Pesquisadores avaliam conversões de uso da terra e impacto no carbono do solo. Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, SP, 2025. Disponível em: https://agromais.uol.com.br/2025/03/14/pesquisadores-avaliam-conversoes-de-uso-da-terra-e-impacto-no-carbono-do-solo. Acesso em: 27 jul. 2025.

EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL. Embrapa fecha ciclo de 12 anos e orienta sobre integração lavoura‑pecuária‑floresta. Sinop, 2024. Disponível em: https://www.canalrural.com.br/pecuaria/viu-esta-embrapa-finaliza-maior-pesquisa-do-mundo-com-integracao-lavoura-pecuaria-floresta. Acesso em: 27 jul. 2025.

EMBRAPA CERRADOS. Integração lavoura‑pecuária pode reduzir o uso de fertilizantes e mitigar impactos no clima. 2024. Disponível em: https://souagro.net/noticia/2024/02/integracao-lavoura-pecuaria-pode-reduzir-o-uso-de-fertilizantes-e-impactos-no-clima. Acesso em: 27 jul. 2025.

EMBRAPA MEIO‑NORTE. Integração lavoura‑pecuária eleva produção de grãos e fixa carbono no Matopiba. 2025. Disponível em: https://www.cotrijuc.com.br/2025/06/24/integracao-lavoura-pecuaria-eleva-producao-de-graos-e-fixa-carbono-no-matopiba-aponta-embrapa. Acesso em: 27 jul. 2025.

MAIS FLORESTA. Integração Lavoura‑Pecuária‑Floresta: sustentabilidade e eficiência transformam a agropecuária brasileira. 2024. Disponível em: https://www.maisfloresta.com.br/integracao-lavoura-pecuaria-floresta-sustentabilidade-e-eficiencia-transformam-a-agropecuaria-brasileira. Acesso em: 27 jul. 2025.

SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO – MT. Mato Grosso planeja ampliar áreas integradas de lavoura‑pecuária‑floresta para reduzir emissões de carbono até 2030.  2025. Disponível em: https://www.portaldoagronegocio.com.br/florestal/mercado-florestal/noticias/mato-grosso-planeja-ampliar-areas-integradas-de-lavoura-pecuaria-floresta-para-reduzir-emissoes-de-carbono. Acesso em: 27 jul. 2025.





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