A zootecnia, ciência que estuda a criação, produção e melhoramento de animais, desempenha um papel crucial na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico mundial. No entanto, sua relevância se estende para além desses pilares, sendo um campo fundamental na busca por práticas sustentáveis que conciliem a produção animal com a preservação ambiental. Nos últimos anos, a atenção tem se voltado para a redução do impacto ambiental da pecuária, um dos setores que mais contribuem para a emissão de gases de efeito estufa e o consumo de recursos naturais.
Uma das frentes de inovação mais promissoras é o desenvolvimento de sistemas de produção mais eficientes e menos intensivos em recursos. Isso inclui a otimização da nutrição animal, com a pesquisa de aditivos alimentares que reduzem a emissão de metano por ruminantes, e o aprimoramento genético de animais para maior produtividade e menor pegada ecológica. Por exemplo, estudos recentes têm demonstrado o potencial de dietas com inclusão de algas marinhas para diminuir significativamente a produção de metano entérico em bovinos, um avanço com grande impacto na mitigação das mudanças climáticas (Roque et al., 2021).
Além disso, a implementação de tecnologias de precisão na pecuária, como sensores e sistemas de monitoramento, permite um manejo mais individualizado dos animais e dos recursos, otimizando o uso de água, ração e medicamentos. A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), prática que combina diferentes sistemas produtivos em uma mesma área, tem se consolidado como uma estratégia eficiente para promover a ciclagem de nutrientes, a recuperação de solos degradados e o aumento da biodiversidade, ao mesmo tempo em que gera múltiplos produtos e serviços (Carvalho et al., 2018).
No entanto, os desafios persistem. A crescente demanda por produtos de origem animal em um cenário de limitações de recursos naturais e pressões ambientais exige uma constante reavaliação das práticas zootécnicas. A pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias, a disseminação de conhecimento e a adoção de políticas públicas que incentivem a produção sustentável são passos essenciais para garantir que a zootecnia continue a contribuir para a segurança alimentar global sem comprometer o futuro do planeta. A inovação em sistemas de bem-estar animal, que além de éticos, podem levar a ganhos de produtividade e redução de estresse nos rebanhos, também é um ponto chave a ser explorado e difundido.
Referências
CARVALHO, P. C. F. et al. Pastagens: manejo e intensificação sustentável. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 47, e20170197, 2018.
ROQUE, B. M. et al. Inclusion of Asparagopsis armata and Asparagopsis taxiformis in the diets of lactating dairy cows reduces enteric methane emission without impacting milk production or composition. Journal of Cleaner Production, v. 296, 126584, 2021.

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