Pular para o conteúdo principal

Benéficos da ILPF

A integração lavoura‑pecuária‑floresta, ou ILPF, desponta como uma das estratégias mais transformadoras da zootecnia moderna, especialmente no Brasil. Um estudo conduzido pela Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop (MT) encerrou o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com ILPF, oferecendo diretrizes técnicas sólidas para uso de árvores em sistemas integrados. Os pesquisadores avaliaram arranjos com eucalipto em diferentes configurações e observaram uma produção de madeira variando entre 87 e 114 m³/ha durante o período, além do efeito bordadura que favorece árvores nas bordas para maior acumulado de biomassa e carbono — mais de 30 kg/árvore/ano no sistema ILPF, em contraste com cerca de 20 kg/árvore/ano na monocultura (EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2024). Em paralelo, outro estudo no estado de São Paulo, conduzido pela APTA e Embrapa Meio Ambiente, analisou a conversão de Mata Atlântica em pastagens e depois em ILPF ou lavoura convencional. Entre as principais conclusões, ...

A relação entre a cura de umbigo inadequada e a pneumonia em bezerros neonatos

Cura do umbigo em bezerros

 

A pneumonia em bezerros neonatos representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade nessa faixa etária, gerando consideráveis perdas econômicas na pecuária. Dentre os diversos fatores de risco associados ao desenvolvimento de afecções respiratórias, a falha nos cuidados com o umbigo logo após o nascimento desponta como uma porta de entrada crucial para microrganismos patogênicos. A ausência de uma desinfecção umbilical adequada e eficiente pode desencadear um processo infeccioso local, conhecido como onfalite, que frequentemente evolui para quadros sistêmicos, culminando, entre outras complicações, na pneumonia.

O cordão umbilical, no período pós-natal imediato, consiste em uma estrutura vascularizada que mantém comunicação direta com a cavidade abdominal e a corrente sanguínea do animal. Essa característica o torna particularmente vulnerável à invasão de bactérias presentes no ambiente, especialmente em locais com condições higiênico-sanitárias deficientes (Meglia, 2002). Agentes como Escherichia coli, Staphylococcus spp., Streptococcus spp., e Trueperella pyogenes são frequentemente isolados em infecções umbilicais e suas sequelas (Constable et al., 2017; Fecteau; George, 2004).

Quando a antissepsia do coto umbilical não é realizada ou é feita de maneira inadequada, esses microrganismos colonizam a região, multiplicam-se e podem ascender pelas estruturas umbilicais (artérias, veia e úraco), causando inflamação e infecção local. Essa onfalite, se não tratada, pode progredir para uma bacteremia ou septicemia, à medida que os patógenos e suas toxinas ganham acesso à circulação sistêmica (Radostits et al., 2007).

Uma vez na corrente sanguínea, as bactérias podem se disseminar para diversos órgãos e sistemas, estabelecendo focos infecciosos secundários. Os pulmões são órgãos frequentemente afetados nesse processo de disseminação hematogênica, devido à sua alta vascularização e função de filtro. A chegada e multiplicação bacteriana no parênquima pulmonar desencadeiam uma resposta inflamatória que caracteriza a pneumonia (Blood; Radostits, 1991; McGUIRK, 2008). Bezerros com pneumonia de origem umbilical podem apresentar sinais clínicos como febre, dispneia, tosse e secreção nasal purulenta, além dos sinais de onfalite, como aumento de volume, dor e presença de pus na região umbilical.

Fatores como a falha na transferência de imunidade passiva, decorrente da ingestão insuficiente ou tardia de colostro de boa qualidade, e a exposição a um ambiente contaminado exacerbam a susceptibilidade dos neonatos a essas infecções (Riet-Correa et al., 2007). Portanto, a cura de umbigo, realizada imediatamente após o nascimento com soluções antissépticas eficazes, como o iodo a 7-10%, e repetida conforme necessário, associada a boas práticas de manejo e higiene no ambiente de parição e criação dos bezerros, são medidas profiláticas essenciais para prevenir as onfalopatias e suas graves consequências, incluindo a pneumonia.

Fontes

BLOOD, D. C.; RADOSTITS, O. M. Clínica veterinária. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.

CONSTABLE, P. D.; HINCHCLIFF, K. W.; DONE, S. H.; GRÜNBERG, W. Veterinary medicine: a textbook of the diseases of cattle, horses, sheep, pigs, and goats. 11th ed. St. Louis: Elsevier, 2017.

FECTEAU, G.; GEORGE, L. W. Umbilical disorders. In: ANDERSON, D. E.; RINGS, D. M. (Eds.). Current veterinary therapy: food animal practice. 5th ed. St. Louis: Saunders Elsevier, 2004. p. 118-123.

McGUIRK, S. M. Disease management of newborn dairy calves. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v. 24, n. 1, p. 139-153, 2008.

MEGLIA, G. E. Enfermidades dos bezerros neonatos. Jaboticabal: Funep, 2002.

RADOSTITS, O. M.; GAY, C. C.; HINCHCLIFF, K. W.; CONSTABLE, P. D. Clínica veterinária: um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e equinos. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

RIET-CORREA, F.; SCHILD, A. L.; LEMOS, R. A. A.; BORGES, J. R. J. Doenças de ruminantes e equídeos. 3. ed. Santa Maria: Pallotti, 2007. v. 1.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

STRONGYLUS VULGARIS

Filo: Nematoda  Classe: Secernentea  Ordem: Strongylida  Família: Strongydae  Gênero: Strongylus  Espécie: Strongylus vulgaris           Esse nematoda faz parte dos grandes Strongylus, juntamente com o  Strongylus equinus e Strongylus edentatus (SANAVRIA, [20-?]).      A espécie Strongylus vulgaris tem morfologia caracterizada por corpo retilíneo e rígido medindo entre 1,5 e 2,5 cm de comprimento, é de cor cinza escuro, o orifício oral é circundado por uma coroa radiada externa franjada. A cápsula bucal oval, apresenta dois dentes grandes com ápices arredondados (forma de orelha) na sua base (BASSAN et al ., 2008).      Ciclo biológico: a limentos contaminados com L3 ao serem ingeridos pelo animal, penetram na mucosa intestinal do íleo, ceco e cólon ventral. A fase L4 ocorre na submucosa (4 – 5 dias.), penetra nas arteríolas e após uns dias no interior dos vasos segue contra o fluxo sanguíneo para...

Inteligência Artificial na Zootecnia: inovação que transforma a produção animal

A inteligência artificial tem avançado rapidamente em diversas áreas da produção animal, e a zootecnia não está à margem dessa revolução tecnológica. Com a intensificação dos sistemas de produção e a crescente demanda por alimentos de origem animal com maior qualidade, segurança e rastreabilidade, a incorporação de tecnologias baseadas em inteligência artificial tem se mostrado uma estratégia fundamental para alcançar esses objetivos, ao mesmo tempo em que promove melhorias significativas no bem-estar dos animais e na sustentabilidade dos sistemas produtivos. No contexto da saúde animal, sensores inteligentes integrados a coleiras ou dispositivos implantáveis têm sido utilizados para o monitoramento contínuo de parâmetros fisiológicos e comportamentais, como temperatura corporal, frequência cardíaca, ingestão alimentar e padrões de locomoção. Esses dados, transmitidos em tempo real para plataformas de análise baseadas em IA, permitem a identificação precoce de alt...

O que é zootecnia ?

          A zootecnia é a ciência que estuda a criação, conservação e produção animal. Esses estudos são mais direcionados aos animais domésticos, com o intuito de compreender de forma tecnicamente eficiente,  economicamente viável, socialmente justa, ambientalmente correta e eticamente adequada, as suas relações, suas utilidades e os serviços úteis que os animais tem para o homem.       Um lema que é de suma importância para a zootecnia é   "produzir o máximo, no menor tempo possível, semper lucro lucro, tendo em conta o bem estar animal"  .       Abaixo o simbo da zootecnia e seu significado.