A zootecnia celular, também conhecida como agricultura celular, está emergindo como uma alternativa promissora à produção animal convencional. Essa abordagem utiliza técnicas de cultivo de células animais para produzir carne e outros produtos de origem animal em laboratório, sem a necessidade de abate. No Brasil, diversos centros de pesquisa e profissionais têm se dedicado ao desenvolvimento e à análise dessa tecnologia inovadora.
Um exemplo notável é o Laboratório de Zootecnia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que foca na produção de linhagens celulares e no desenvolvimento de protocolos para carne cultivada livre de ingredientes de origem animal. Esse laboratório tem sido pioneiro na pesquisa de métodos sustentáveis e éticos para a produção de carne cultivada.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também tem investido na área. Em 2022, a Embrapa Suínos e Aves realizou a I Jornada de Carne Cultivada, reunindo especialistas para discutir aspectos legais, nutricionais e de mercado relacionados à carne cultivada. A pesquisadora Ana Paula Bastos, da Embrapa, destacou a importância de abordar o tema de forma sistêmica, considerando desde a produção até o consumo.
Além disso, estudos têm analisado a percepção de profissionais da área sobre a carne cultivada. Uma pesquisa publicada na revista científica "Animals" avaliou a perspectiva de veterinários e zootecnistas brasileiros, revelando que mulheres, vegetarianos e veganos tendem a ser mais favoráveis à carne cultivada. A resistência observada está frequentemente associada à falta de conhecimento e à percepção de artificialidade do produto.
Empresas privadas também estão investindo na tecnologia. A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, iniciou a construção do Biotech Innovation Center em Florianópolis, Santa Catarina, que será o primeiro centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação para proteínas derivadas de células animais no Brasil.
Essas iniciativas demonstram o crescente interesse e investimento na zootecnia celular no Brasil. Embora ainda enfrente desafios como custos de produção e aceitação do consumidor, a carne cultivada representa uma alternativa sustentável e ética à produção animal tradicional, com potencial para transformar significativamente o setor agropecuário.
Fontes:
EMBRAPA. I Jornada de carne cultivada: uma visão sistêmica sobre terminologias, aspectos legais, nutricionais, considerações sobre consumidor e mercado potencial, métodos e meios de cultivo. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/377589852_I_Jornada_de_Carne_Cultivada_uma_visao_sistemica_sobre_terminologias_aspectos_legais_nutricionais_consideracoes_sobre_consumidor_e_mercado_potencial_metodos_e_meios_de_cultivo. Acesso em: 04 maio 2025.
FONSECA, L. M. et al. Veterinarians and animal scientists' attitudes towards cultured meat in Brazil. Animals, Basel, v. 10, n. 10, p. 1-15, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7552288/. Acesso em: 04 maio 2025.
JBS. JBS begins work on lab-grown meat center in Brazil. Agriculture Dive, 2024. Disponível em: https://www.agriculturedive.com/news/jbs-begins-work-on-lab-grown-meat-center-in-brazil/694616/. Acesso em: 04 maio 2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Laboratório de Zootecnia Celular – ZOOcel/UFPR. Curitiba: UFPR, 2024. Disponível em: https://zoocel.ufpr.br/. Acesso em: 04 maio 2025.
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