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Benéficos da ILPF

A integração lavoura‑pecuária‑floresta, ou ILPF, desponta como uma das estratégias mais transformadoras da zootecnia moderna, especialmente no Brasil. Um estudo conduzido pela Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop (MT) encerrou o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com ILPF, oferecendo diretrizes técnicas sólidas para uso de árvores em sistemas integrados. Os pesquisadores avaliaram arranjos com eucalipto em diferentes configurações e observaram uma produção de madeira variando entre 87 e 114 m³/ha durante o período, além do efeito bordadura que favorece árvores nas bordas para maior acumulado de biomassa e carbono — mais de 30 kg/árvore/ano no sistema ILPF, em contraste com cerca de 20 kg/árvore/ano na monocultura (EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2024). Em paralelo, outro estudo no estado de São Paulo, conduzido pela APTA e Embrapa Meio Ambiente, analisou a conversão de Mata Atlântica em pastagens e depois em ILPF ou lavoura convencional. Entre as principais conclusões, ...

MASTITE

    

zootecnia, bovinocultura, doença, mastite

    "A mastite é a inflamação da glândula mamária que se caracteriza por apresentar alterações patológicas no tecido glandular e uma série de modificações físico-químicas no leite" (NETO & ZAPPA, 2011).

    A mastite pode ser classificada de duas formas, sendo elas clínica e subclínica. A diferença é que na clínica se observa alterações clínicas no leite e no animal, ou seja, apresenta sinais evidentes, como: edema, aumento de temperatura, endurecimento, dor na glândula mamária, grumos, pus ou outras alterações nas características do leite. Enquanto na mastite subclínica não se observam alterações macroscópicas e sim alterações na composição do leite, isso quer dizer que ela possuí um caráter silencioso (BENEDETTE et al., 2008; MILK POINT, 2018). 

   Essa doença ainda pode se dividir em duas categorias, que são: contagiosa e ambiental. A mastite contagiosa tem algumas bactérias como principais causadoras, e são Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, Staphylococcus aureus e Mycoplasma spp. A transferência de leite contaminado de uma vaca para a outra é como se dá a transmissão desses microrganismos. No que diz respeito a categoria ambiental, os causadores incluem as espécies de estreptococos (S. uberis e o S. dysgalactiae são os mais prevalentes, e o menos prevalente é o S. equinus). Já no grupo dos coliformes ambientais, destacam-se: Escherichia coli, Klebsiella spp., Citrobacter spp.) (BENEDETTE et al., 2008; EDUCA POINT, 2018). 

    Segundo Neto & Zappa (2011) a mastite é a doença mais recorrente em vacas leiteiras adultas, causando 38% de toda morbidade. Isso pode se caracterizar como um problema, uma vez que no Brasil, a produção de leite, como outros seguimentos da atual sociedade é uma atividade cada vez mais competitiva. Essa doença traz também grandes prejuízos ao produtor porque ela determina perdas elevadas por descarte do leite, gastos com medicamentos, perda funcional de glândulas e até por morte do animal (SIMÕES & OLIVEIRA, 2008). 

DIAGNÓSTICO DA MASTITE CLÍNICA SEGUNDO

Informações de Veiga (1998) e Neto & Zappa (2011). 

    O diagnóstico da mastite clínica pode ser feito de forma visual, observando os aspectos externos importantes no úbere e nas tetas, como diferenças no tamanho e no formato dessas partes. No caso da observação, é recomendado que se faça antes da ordenha, porque com o úbere cheio fica mais fácil a visualização de alguma anormalidade. 

    No exame manual é realizado a palpação que se inicia pelos os tetos sendo palpados rolando-os entre os dedos. Com a ponta dos dedos pode-se fazer a palpação da cisterna da glândula na região da base dos tetos. Quanto ao úbere, devem-se avaliar cada unidade individualmente, determinando-se sua consistência, temperatura e sensibilidade. Uma dica é que se faça o exame físico imediatamente após a ordenha pós o excesso de leite do úbere interfere o exame. 

    Tem também o teste da caneca preta, nesse teste é permitido avaliar a aparência dos primeiros jatos de leite do animal, buscando dessa forma detectar qualquer indicativo de mastite clínica no leite, como a presença de pus, de grumos, ver se a coloração do leite está amarela ou até mesmo se há presença de sangue. 

DIAGNÓSTICO DA MASTITE SUBCLÍNICA

Informações de Veiga (1998) e do site Milk Pointe (2018).

  O diagnóstico da mastite subclínica pode se dá por alguns diferentes exames. Existe o exame California Mastits Test (CMT) que tem uma boa precisão, é barato e simples. A reação nesse teste de CMT é proveniente de uma ação entre o reagente e as células somáticas presentes no leite. 

    Tem o exame de Contagem de Células Somáticas (CCS), essa é a técnica mais eficaz para a contagem de células somáticas. É uma técnica que tem uma alta precisão, contudo avalia apenas todo o úbere, e não os quartos mamários de forma individual. Os aparelhos mais utilizados nesse teste são o "coulter counter", o "Dunstable" e o "England". É realizado nas indústrias, cooperativas, laboratórios de universidade, instituições de pesquisas ou particulares. 

    Existe outros exames como: Contagem Direta em Lâminas (CDL); Teste do Viscosímetro (WMT); Teste para medir a condutividade elétrica; Teste com o "detector de condutividade" manual; Sistema de condutividade à ordenharia mecânica. Contudo os mais conhecidos e realizados são o (CMT) e (CCS).

TRATAMENTO

    O uso de antimicrobianos continua sendo utilizados como a principal estratégia para o controle da mastite clínica (NETO & ZAPPA, 2011). E no caso de mastite subclínica a melhor forma de controle é a realização da terapia de vaca seca, que se trata da infusão intramamária de antibióticos de longa duração e secagem das vacas (BENEDETTE et al., 2008).

REFERÊNCIAS

BENEDETTE, M. F.; SILVA, D.; ROCHA, F. P. C.; SANTOS, D. A. N.; COSTA, E. A. D. A.; AVANZA, M. F. B. Mastite bovina. Revista científica eletrônica de medicina veterinária, Garça, N. 11, p. 05, jun. 2008. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/s8Qkxdp3ibXOROS_2013-6-13-15-52-55.pdf>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022. 

EDUCA POINT. Quais são os principais agentes ambientais causadores de mastite?. 2018. Disponível em: <https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-leite/agentes-mastite-ambiental/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022. 

MILK POINTE. Como diagnosticar e tratar as mastites subclínicas. 2018. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/empresas/novidades-parceiros/como-diagnosticar-e-tratar-as-mastites-subclinicas-211496/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022. 

NETO, F. P.; ZAPPA, V. Mastite em vacas leiteiras - revisão de literatura. Revista científica eletrônica de medicina veterinária, Garça, N. 16, p. 28, jan. 2011. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/5birfPwQOBxdHFp_2013-6-26-11-19-44.pdf>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022. 

Simões, Tânia Valeska Medeiros Dantas Mastite bovina : considerações e impactos econômicos / Tânia Valeska Medeiros Dantas Simões, Amaury Apolônio de Oliveira. – Aracaju : Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2012. 25 p. 

VEIGA, V.M.O. Diagnóstico de mastite bovina. Juiz de fora: EMBRAPA-CNPGL-ADT, 1998. 24p.

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